FORMAÇÃO DA IMAGEM
Estando o paciente adequadamente posicionado no leito
ajustável, com a cabeça no orifício
central da unidade de varredura, são datilografados
no console de comando os dados de identificação
do paciente e escolhidos os parâmetros do exame
(velocidade, espessura, número e espaçamento
dos tomogramas, ângulo total do movimento rotacional
da matriz e o diâmetro do campo de varredura), bem
como a quilovoltagem e a miliamperagem empregadas.
Para simplificação, analisaremos a coleta
de dados nos tomógrafos que utilizaram o método
de translação-rotação, pois
foi neles que Hounsfield desenvolveu a TC, ao deixar a
fonte, o feixe de raios X em forma de leque sofre filtração
por parte de uma placa de alumínio ou cobre de
alguns milímetros de espessura para reduzir o “endurecimento”
do feixe. A seguir, o feixe é finamente colimado
para passar pela região em estudo.
Durante
cada movimento de translação, os detectores
obtêm informações em diferentes ângulos
do objeto em exame. Os equipamentos que fazem dois tomogramas
por varredura possuem os detectores de cintilação
distribuídos em dois planos, um para cada tomograma.
Um detector adjacente à fonte de raios X proporciona
um nível referencial usado para a correção
de qualquer variação na intensidade do feixe
durante a varredura.
Após
atravessarem a cabeça do paciente, os fótons
de raios X são detectados pelos cristais (fluoreto
de cálcio, iodeto de sódio ou óxido
germânico de bismuto), que cintilam proporcionalmente
à exposição dos raios X, e a luz
gerada é convertida em sinais elétricos
pelos fotomultiplicadores. Em seguida, nos circuitos conversores
análogo-digitais, os sinais elétricos são
transformados da forma analógica para a forma digital
e transmitidos em forma de número binário
para a unidade de processamento.
As
cintilações dos cristais e os correspondentes
sinais elétricos são inversamente proporcionais
à densidade física, à composição
atômica e à espessura do tecido em exame.
Exemplificando: mantendo constante todos os outros fatores,
um menor número de fótons atingirá
dos detectores à medida que o número atômico
das substâncias do tecido aumentar, pois um maior
número de fótons será absorvido pelo
tecido.
A
intensidade do feixe de raios X medida pelos detectores
é convertida num valor logarítmico através
dos amplificadores logarítmicos. A intensidade
do feixe não atenuado, medida pelo detector referencial,
também é convertida num valor logarítmico.
O valor logarítmico de intensidade referencial
é subtraído do valor logarítmico
da intensidade do feixe medido pelos detectores e o valor
resultante entra no sistema em forma digitalizada.
Deste
modo, os valores de atenuação que entram
no sistema aumentam à medida que a intensidade
do feixe medida pelos detectores diminui. Em outras palavras,
quanto mais opaco aos raios X for um objeto menor será
a intensidade do feixe que alcança os detectores
e maior será o valor de atenuação
do sistema.
Se a cabeça do paciente for dividida num conjunto
de pequenos paralelepípedos, cada um tendo determinado
valor calculável de atenuação da
intensidade do feixe, a soma dos valores de atenuação
calculadas em cada paralelepípedo será igual
à atenuação total do feixe.
O
conjunto desses paralelepípedos forma uma matriz.
O tamanho da matriz varia segundo o número e as
dimensões dos paralelepípedos que a compõem.
No primeiro tomógrafo computadorizado a matriz
era 80 x 80, num total de 6.400 paralelepípedos,
cada um medindo 3 x 3 mm por 8 ou 13 mm de profundidade.
Este último dado refere-se a altura ou profundidade
do paralelepípedo e corresponde a espessura de
cada tomograma. As espessuras dos tomogramas podem ser
múltiplas para um mesmo equipamento e são
variáveis para os diferentes modelos.
Contudo,
as espessuras mais utilizadas são de 3, 5, 8, 10
ou 13 mm. Os tomógrafos mais modernos, contudo,
utilizam cortes de 1 mm ou abaixo (0,5 ou 0,7 mm). As
matrizes maus usadas são as seguintes: a) matriz
de 160 x 160 com 25.600 unidades de matriz (“paralelepípedos”),
medindo cada unidade de matriz 1,5 x 1,5 mm x espessura
do tomograma escolhido (4, 5, 8, 10 ou 13 mm); b) matriz
de 256 x 256, com 65.536 unidades de matriz, medindo cada
uma 1 x 1 mm x espessura do tomograma escolhido; c) matriz
de 320 x 320, com 102.400 unidades de matriz, medindo
cada uma 0,75 x 0,75 mm x espessura; d) matriz de 512
x 512, com 262.144 unidades de matriz, cada uma com 0,5
x 0,5 mm x espessura escolhida.
Cada
unidade de matriz corresponde a um valor numérico
binário que entra no sistema de processamento,
indicando o valor de atenuação do feixe
de raios X correspondente a igual volume de tecido no
crânio do paciente. A exatidão do cálculo
da atenuação de cada unidade de matriz é
superior a 0,5 %.
A somatória dos dados obtidos durante cada movimento
transverso denomina-se “linha de dados”. Estes
dados, uma vez digitalizados, serão corrigidos,
filtrados e posteriormente retroprojetados sobre a matriz.
Cada paralelepípedo da matriz acumula os dados
que foram medidos quando o feixe de raios X foi projetado
através do ponto correspondente na área
examinada.
A
simples retroprojeção de cada linha de dados
sobre a matriz produzirá uma reconstrução
grosseira da imagem, por eu uma linha de dados representa
a contribuição da atenuação
ao longo de toda a extensão do feixe de raios X
num movimento transverso, não representando o valor
de atenuação num único paralelepípedo
da matriz.
A
fim de ser evitada essa reconstrução grosseira
da imagem, as linhas de dados devem ser filtradas e posteriormente
retroprojetadas sobre a matriz (filtered back projection).
Durante a filtração, os valores da linha
de dados que pudessem distorcer a atenuação
de uma determinada unidade da matriz são tomados
como negativos. O método de retroprojeção
filtrada reproduz os valores dos dados medidos em cada
“paralelepípedo“ da matriz na exata
unidade da matriz que esses valores foram colhidos sem
a influência daqueles considerados negativos.
Durante
cada movimento transverso vários dados de informação
são colhidos para cada linha de “paralelepípedos“
ou pontos da matriz e a quantidade destes pontos é
variável segundo a matriz utilizada em cada aparelho.
Para uma matriz de 256 x 256, a linha será de 256
dados. Na prática, é coletado um número
superior de dados para cada linha, de modo que é
obtida a média dos valores para reduzi-los a 256.
Como os detectores, amplificadores logarítmicos
e circuitos conversores análogo-digitais não
seguem instantaneamente as alterações na
intensidade do feixe, o programa existente no computador
corrige cada valor obtido antes de filtrá-lo. Em
seguida, cada valor obtido sofrerá uma correção
não linear para compensar as diferenças
individuais entre os detectores e o fato do feixe de raios
X ser policromático.
O endurecimento do feixe causa aparente diminuição
no valor de atenuação de um dado tecido
a medida que a distância da fonte de raios X aumenta.
A fim de ser evitado esse feito, durante a calibração
do equipamento várias correções são
efetuadas e seus valores acumulados na memória
do programa, que os utilizará quando da realização
do exame.
O que foi explicado corresponde aos primórdios
do desenvolvimento da TC. Muito disso é utilizado
nos aparelhos mais modernos (helicoidais), pois os princípios
físicos utilizados são os mesmos. Contudo,
adaptações foram feitas para permitir a
aquisição de dados e reconstrução
das imagens em tempo extremamente rápidos.
Basta lembrar que aparelhos de TC capazes de realizar
64 imagens por ciclo de scan, e com três cilclos
por segundo, mostram 192 imagens quase que instantaneamente.
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