BREVE HISTÓRICO DOS RAIOS X

Em 1895 Wilhelm Roentgen procurava detectar a radiação eletromagnética de alta freqüência prevista por Helmoltz. Ele dispunha de um tubo de raios catódicos com excelente vácuo e usava, como fonte de alta tensão elétrica, uma bobina de indução parecida com essas que alimentam as velas de um carro, só que maior.

Tinha, também, por perto, uma placa fluorescente de cianeto de platina e bário. Esse material fluoresce, isto é, fica discretamente luminoso, quando recebe radiação visível ou não. É como aqueles sinais de estrada que brilham no escuro. Uma placa desse tipo fluoresce quando atingida pelos raios catódicos e era por isso que fazia parte do equipamento de Roentgen.

Para facilitar a observação da fraca luminosidade da placa fluorescente, Roentgen fechou as cortinas do laboratório e cobriu o tubo de raios catódicos com uma caixa de papelão. Veja na foto abaixo o palco do drama: o laboratório de Roentgen, mais ou menos como era em Novembro de 1895.

Foto recente do laboratório de Roentgen no Instituto de Física de Würzburg. Hoje, é um museu mas mostra, mais ou menos, como era seu local de trabalho quando Roentgen descobriu os raios X. À direita, está a janela cuja cortinas ele fechou para melhor observar a fluorescência de seu detetor.

No escuro, Roentgen ligou o tubo de raios catódicos à eletricidade. E aí notou, no fundo da sala, um pequeno brilho, quase imperceptível. Nisso, talvez, foi ajudado pelo fato de ser daltônico. Dizem que daltônicos conseguem ver melhor no escuro que gente de visão normal. Mas, que brilho era esse? Desligou a eletricidade do tubo e o brilho sumiu.

Ligou de novo, e lá estava a luzinha novamente. Abrindo as cortinas da janela ele verificou que o brilho vinha de sua placa fluorescente, lá no canto da sala. Repetiu o teste, colocando a placa mais perto do tubo que ainda estava coberto pela caixa de papelão. E viu a placa fluorescer com maior intensidade! Afastando a placa do tubo o brilho diminuía.

A partir daí, foi uma festa de novas observações. Roentgen tinha certeza que estava detectando um tipo de radiação diferente. Não eram, certamente, os próprios raios catódicos saindo do tubo pois já era sabido de todos os pesquisadores que esses raios catódicos só se propagavam no vácuo.

No ar, eles eram rapidamente absorvidos e não alcançavam mais que poucos centímetros. Colocando placas de madeira ou metal entre o tubo e o detetor, Roentgen aprendeu que a radiação que estava detectando era realmente muito penetrante. Só uma placa de chumbo conseguia bloqueá-la totalmente. E aí fez uma observação crucial. Segurou um pequeno disco de chumbo na frente do detetor fluorescente, com a intenção de ver a sombra do disco na placa. E viu, não apenas a sombra do disco, mas também a sombra dos ossos de sua própria mão!

Nas semanas seguintes, Roentgen trabalhou intensamente, examinando todos os aspectos da radiação que acabara de descobrir. Para obter resultados permanentes, possíveis de publicar nas revistas, passou a usar placas fotográficas no lugar do detetor fluorescente.

Em uma de suas experiências, colocou a mão de sua mulher, Bertha, na frente do filme e obteve a primeira radiografia da história, mostrando os ossos de Dona Bertha e até seu anel de casamento.

       
   

Em outra experiência, tirou a radiografia de seu rifle de caça e observou uma pequena falha interna. Com isso, ele antecipou um dos usos atuais dos raios X: descobrir falhas internas em peças industriais. Também radiografou uma caixa de madeira fechada com peças metálicas no interior. Fez, portanto, o que hoje se vê nos aeroportos, onde as bagagens são radiografadas pelo pessoal da segurança.

Radiografia tirada por Roentgen de seu rifle de caça. Observe que há um pequeno defeito no cano. Com essa foto, Roentgen antecipou o uso industrial dos raios X como controle de qualidade de peças.

Antes mesmo de ser publicada em uma revista científica, a descoberta de Roentgen chegou aos jornais e causou enorme sensação. Os médicos logo viram o potencial da radiação para diagnóstico e terapia. A fama de Wilhelm Roentgen espalhou-se pelo mundo e todos os grandes laboratórios começaram a produzir, pesquisar e utilizar a radiação de alta freqüência que ele chamou, modestamente, de raios X.
O Prêmio Nobel de Física foi concedido em 1901, muito merecidamente, a Wilhelm Conrad Roentger, então com 56 anos.

Desde sua descoberta, a utilização dos raios X na medicina foi inevitável e seu auxílio na detecção de doenças, seu uso na clínica diária, na cirurgia de qualquer grupo etário, teve uma repercussão nunca antes igualada por qualquer outro método diagnóstico, até o advento da tomografia computadorizada e, posteriormente, pela ressonância magnética.

O Brasil passou a fabricar pequenos aparelhos de raio X somente na última década, cem anos após a descoberta dos raios X. Aparelhos mais complexos como os aparelhos telecomandados, ainda não fabricamos, daí porque temos a necessidade constante da importação destes equipamentos.

Além do mais, no século atual, os aparelhos de raio X, que antes eram analógicos, passaram a ser digitais, o que permite a obtenção de exames bem mais rápidos, com melhor qualidade e, principalmente com menos radiação e sem a necessidade de repetição do paciente à exposições repetidas, tornando o exame menos nocivo à saúde.

No Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, são raríssimos os aparelhos de raio X com tecnologia digital. Cerca de 1% contra 97 a 98% nos Estados Unidos da América do Norte. A introdução dos aparelhos de raios X digitais no Brasil são, portanto de uma necessidade imperiosa.

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