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Por se tratar de um assunto bastante novo e de grande importância médica, entrevistamos o Dr. Guilberto Minguetti, Prof. Adjunto da UFPr, PhD pela Universidade de Londres e Diretor do CETAC – Centro de Diagnóstico por Imagem, para esclarecer aos leitores qual a diferença entre PET-CT e CICLOTRON.
O que é PET-CT
O PET-CT é um aparelho capaz de realizar duas modalidades de exames de diagnóstico por imagem, simultaneamente: o PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) e a Tomografia Computadorizada.
A Tomografia por Emissão de Pósitrons é um exame funcional moderno que hoje se enquadra dentro da avançada tecnologia da imaginologia molecular e sua sensibilidade em detectar alterações bioquímicas dos tecidos é muito grande. Já a Tomografia Computadorizada, inventada em 1973, mas com uma superba resolução espacial e que avançou recentemente para a tecnologia de multislices, tem a capacidade de reproduzir a anatomia humana de forma inigualável. A fusão das duas imagens, à medida que o exame vai sendo realizado, forma o requisito perfeito para diagnóstico, ou seja, a localização de alterações funcionais e anatômicas ao mesmo tempo, aumentando enormemente a sensibilidade e a especificidade desses métodos diagnósticos.
Desde quando existe PET-CT em Curitiba e quais são as melhores indicações clínicas
O exame de PET-CT já existe em Curitiba, no CETAC, desde dezembro de 2006. Já foram feitos mais de 1.000 exames, trazendo grande conforto aos pacientes e seus familiares de todo o Sul do Brasil, pois aparelhos semelhantes só existiam em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O PET-CT é usado principalmente em Oncologia, Neurologia e Cardiologia. Em oncologia suas indicações principais são a detecção precoce do câncer, estadiamento tumoral, monitorização da terapia oncológica, avaliação de recidiva e planejamento da radioterapia. Em neurologia, usa-se o PET-CT na detecção precisa dos focos epiliptogênicos, no diagnóstico diferencial das demências, com ênfase na doença de Alzheimer, na diferenciação entre neoplasia recidivante do sistema nervoso central e radionecrose e no controle das lesões tumorais pós-quimioterapia. Em cardiologia, ele é utilizado na apreciação da viabilidade do miocárdio, após um infarte.
Por se tratar de um exame que usa um traçador específico (radioisótopo) para a obtenção de imagens moleculares, como o CETAC se organizou para poder atender adequadamente seus pacientes?
A substância utilizada para a realização dos exames PET-CT é o 2-18Flúor-2-deoxi-D-glicose, conhecida pela sigla FDG, sendo o 18F o elemento radioativo e, a glicose, o composto químico que conduz o 18F para dentro dos tecidos humanos que estão sendo estudados. Uma pequena quantidade de FDG é injetada no paciente e após um período de repouso e metabolização o aparelho PET capta os sinais emitidos pelo 18F transformando-os em imagens e determinando, assim, onde ocorre acúmulo patológico do mesmo, visto que as células tumorais apresentam uma captação acentuada de glicose como fonte de energia, em comparação com as células normais. Desta forma, fica bastante fácil a diferenciação entre células normais e células doentes que formam o complexo tumoral.
A produção do radiofármaco (FDG) utilizado no exame é realizada pelo IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), localizado em São Paulo, que é um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. A vida média deste radiofármaco é de 2 horas. Portanto, é preciso uma logística perfeita para a produção do mesmo no laboratório do IPEN, situado mais precisamente na Cidade Universitária (USP), transporte até o Aeroporto de Congonhas, embarque em um avião, recebimento no Aeroporto de São José dos Pinhais, transporte até o CETAC e, finalmente, sua aplicação no paciente, na dose correta.
Com toda esta dificuldade técnica, somada as dificuldades inerentes às burocracias de um órgão público e, pensando seriamente no conforto e segurança dos pacientes, o CETAC idealizou a compra de um equipamento denominado CICLOTRON que é o responsável pela produção do FDG. Desta forma, o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderiam contar com a produção local do FDG, criando suas próprias redes de PET-CT e atendendo melhor a população, particularmente em oncologia, onde se situam as doenças mais graves e dramáticas.
O que é e como funciona um CICLOTRON
O CICLOTRON é um aparelho de tecnologia bastante sofisticada projetado para produzir radioisótopos utilizados não somente para o diagnóstico das doenças oncológicas, neurológicas e cardíacas, mas também para uma vasta gama de pesquisas dedicadas exclusivamente à descobertas que venham a contribuir para a saúde e bem estar dos seres humanos. Hoje, o radioisótopo mais usado produzido por um CICLOTRON é o FDG, como já foi dito. Porém, novos marcadores (radioisótopos) produzidos pelo CICLOTRON estão sendo testados e em breve serão aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regulamenta o uso de diferentes medicamentos em seres humanos. Entre estes biomarcadores estão o 18F-DOPA, para diagnóstico da Doença de Parkinson, o 11C-Colina, que seria mais eficaz no diagnóstico dos tumores de próstata e nos tumores cerebrais, pelo seu baixo “uptake” fisiológico nos tecidos cerebrais. Atualmente, existem cerca de dez novas substâncias sendo testadas.
O aparelho é formado por um grande magneto que funciona como um acelerador de prótons em direção a um alvo de 018 (água enriquecida com 018) formando o F18. Ele pode ser autoblindado ou não. Os aparelhos não blindados são mais baratos. Porém, são mais complexos em sua instalação e requerem estruturas físicas bastante pesadas. O CETAC, através de sua empresa, à CYCLOPET RADIOFÁRMACOS LTDA, adquiriu um CICLOTRON autoblindado. Embora bem mais caro, a produção dos radiofármacos é totalmente robotizada nestes aparelhos, não havendo contato direto ou indireto dos técnicos com a substância produzida, até a expedição do produto, para os diferentes consumidores. É um aparelho mais leve que requer instalações menos complexas e simples.
No magneto, o flúor radioativo formado é, em seguida, ligado às moléculas da glicose, através de sintetizadores. O produto final é o 2-18Flúor-2-deoxi-D-glicose, ou simplesmente FDG, cuja vida média é de duas horas. Por esta razão, a fábrica de FDG deve se situar próxima às clínicas e hospitais que dispõe dos aparelhos PET-CT. Além disso, deve estar estrategicamente instalada próximo aos aeroportos e principais troncos rodoviários.
As instalações da CYCLOPET RADIOFÁRMACOS LTDA, estão sendo concluídas no bairro do Boqueirão, cerca de 10 minutos do aeroporto e cerca de 15 minutos dos bairros mais centrais de Curitiba onde provavelmente se instalarão os novos aparelhos de PET-CT. O único PET-CT atualmente instalado em Curitiba situa-se no bairro do Batel.
Existe, então, atualmente, interesse na compra de outros aparelhos PET-CT para serem instalados no Estado do Paraná?
Sim, existe. No estado do Paraná, sabemos do interesse de duas ou três clínicas em Curitiba, uma em Ponta Grossa, outras em Maringá e Londrina, o que já é um bom começo, pois em breve outras aparecerão, movidas pela facilidade em receber o radiofármaco (FDG) necessário para o funcionamento de suas máquinas .
Em Santa Catarina, já recebemos a visita de grupos de Itajaí, Florianópolis, Blumenau e Joinville, também interessados.
Como será o fornecimento do FDG para os interessados?
Pretendemos fornecer o FDG para todos os serviços especializados através de uma rede especializada de transporte, durante os sete dias da semana, se houver interesse, pois muitos pacientes preferem fazer seus exames nos finais de semana. O aparelho adquirido pela CYCLOPET é um aparelho autoblindado denominado PET-TRACE (GE HEALTHCARE), de 16.5 MeV de potência, capaz de produzir cerca de 7.5 curies em duas horas de funcionamento, apenas. Para se ter uma idéia da dimensão destes números, um paciente necessita uma média de 10 mCi (milicuries) para seu exame. Isto significa que com duas horas de funcionamento pela manhã, por exemplo, o aparelho é capaz de produzir 750 doses. Isto é o suficiente para fornecer FDG para 75 serviços que façam, em média, dez pacientes por dia, o que representaria 25 aparelhos para cada estado do Sul. O PET-TRACE, aparelho CICLOTRON adquirido, tem, portanto, capacidade para atender todo o Sul, bem como até mesmo outros estados do Brasil.
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