ULTRASSONOGRAFIA

A ultrassonografia é um método de obtenção de imagens que se desenvolveu muito nos últimos anos e constitui uma das técnicas mais utilizadas nas clínicas de diagnóstico por imagem.

Embora as pesquisas sobre suas aplicações médicas só tenham tido maior avanço a partir da década de 40, as primeiras teorias tiveram início em 1794, quando Spallanzani demonstrou que os morcegos se orientavam através do ultrassom.

Quase um século mais tarde, em 1880, Curie descreveu o chamado efeito piezoelétrico, demonstrando a descarga elétrica que era formada ao se aplicar uma força a um cristal de quartzo, deformando-o. Da mesma forma, ao se aplicar uma corrente elétrica a um cristal de quartzo, este sofre uma deformação que pode ser expansão ou de contração, secundária a este efeito chamado piezoelétrico invertido, e produz vibrações do cristal que resultam em emissão de ondas sonoras de alta freqüência, ou ultrassons.

Durante a Segunda Guerra Mundial, houve grande avanço deste princípio de geração de ondas ultrassonoras através dos sistemas de sonares dos navios, muito utilizados para pesquisar a profundidade marítima e na prevenção de ataques submarinos.

Os equipamentos que utilizamos na prática médica emitem ondas ultrassonográficas através dos chamados transdutores. Estas ondas se propagam nos tecidos com velocidades diferentes produzindo diferentes ecos que são captados pelo transdutor e interpretados por um processador.

As alterações sofridas pelas ondas sonoras ao atravessarem os tecidos e a geração de ecos dependem do meio que estas atravessam, sendo as informações recebidas pelo processador utilizadas para formar pontos brilhantes no monitor em diferentes tons de cinza, gerando assim as imagens que vemos.

Quanto maior o eco gerado, mais intenso será o brilho do ponto, o que explica o aspecto branco dos ossos e cálculos (tecidos hiperecóicos, isto é, altamente geradores de ecos) e o aspecto negro dos líquidos, como a urina no interior da bexiga (anecóicos, isto é, não geram ecos).

Se uma estrutura que gera ecos está em movimento em relação ao transdutor, a freqüência sonora recebida pelo equipamento será diferente da emitida, pois as ondas sonoras sofrerão compressão se o objeto em movimento se aproxima do transdutor ou expansão se o objeto se afasta.

Isto é chamado efeito Doppler e possibilita ao ultrassonografista o estudo do fluxo sangüíneo no interior dos vasos, através de imagens em cores e da representação gráfica das ondas de velocidade de fluxo. As imagens abaixo ilustram um Doppler colorido.

 
 

A ultrassonografia é um exame em tempo real, rápido, não invasivo e indolor, porém altamente dependente do operador que deve ser um profissional médico bem treinado para a realização dos exames.

As aplicações da ultrassonografia no diagnóstico por imagem são inúmeras, sendo o exame de escolha para iniciar a investigação de grande parte das doenças abdominais e ginecológicas, lembrando ainda a sua grande importância no acompanhamento das gestantes.

Dentre as doenças abdominais mais comumente detectadas aos ultrassons podemos citar os cálculos biliares e renais e, em ginecologia, os miomas uterinos e pólipos endometriais, assim como as alterações funcionais e patológicas dos ovários. As imagens seguintes mostram alguns exemplos.

   
       
 
 
 
 

Outra aplicação muito importante da ultrassonografia é o estudo das mamas, que contribui com a mamografia na detecção de lesões mamárias benignas e malignas.
Podemos citar ainda a contribuição da ultrassonografia em ortopedia, angiologia e cirurgia vascular, neurologia, oftalmologia, endocrinologia e oncologia, assim como a possibilidade de se realizar biópsias de vários tipos de lesões guiadas pelo ultrassom.

O exame ultrassonográfico é fundamental no acompanhamento pré-natal de todas as gestantes, sendo que aquelas consideradas de alto risco (diabéticas, hipertensas ou que apresentaram abortamentos ou problemas em gestações anteriores) devem realizá-lo com maior freqüência, conforme a orientação do médico obstetra.

No primeiro trimestre da gestação, normalmente o exame ultrassonográfico é realizado por via transvaginal, devido à maior riqueza de detalhes que poderemos obter desta forma. A partir da primeira semana de falha menstrual, já visualizamos o saco gestacional e podemos estudar sua forma e implantação, sendo que com seis semanas de idade gestacional os batimentos cardíacos já são identificados.

A avaliação da idade gestacional pela ultrassonografia no primeiro trimestre é feita através da medida do comprimento crânio-caudal do embrião e tem uma margem de erro de cerca de apenas três ou quatro dias.

 
 
   

Entre a décima primeira e décima terceira semanas, pode ser realizada a medida da translucência nucal do feto, o que consiste em uma fina faixa anecóica visualizada na região da nuca nesta idade gestacional.

Uma translucência nucal igual ou superior a 3 mm pode estar relacionada a um maior risco de anomalias fetais, sendo que nestes casos pode ser indicada a análise cromossômica.

A partir da décima segunda semana de gestação, será realizada a avaliação de vários outros parâmetros do feto, como a medida do crânio, abdômen e dos ossos longos.

Podemos listar alguns aspectos básicos que devem ser avaliados na ultrassonografia obstétrica:

1. determinação da idade gestacional (de preferência no primeiro trimestre);
2. avaliação da morfologia fetal;
3. determinar se houve crescimento fetal adequado;
4. vitalidade fetal (observar os movimentos fetais, ritmo cardíaco);
5. maturidade fetal (no terceiro trimestre);
6. aspectos da placenta, cordão e líquido amniótico;
7. existência de doenças associadas e malformações.

 
 
       

Hoje dispomos, nos equipamentos mais modernos, da ultrassonografia tridimensional, que nos permite realizar imagens não só dos fetos no interior do útero, mas também dos outros órgãos que são estudados no modo bidimensional.

 
     
Com a evolução cada vez mais rápida nas áreas de computação e eletrônica, podemos ter boas expectativas em relação aos avanços também na área da ultrassonografia, com equipamentos que proporcionam imagens cada vez mais detalhadas e precisas, possibilitando ao médico e ao seu paciente um diagnóstico rápido, seguro e precoce.

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