5.
ESPECTROSCOPIA
Desde a
sua descoberta, há ±50 anos, a espectroscopia
por ressonância magnética tornou-se um método
extraordinário para examinar átomos e moléculas.
Seu uso nos laboratórios de física e química,
portanto, tinha como finalidade principal a análise
das interações moleculares e a identificação
de compostos químicos. No campo clínico,
a ressonância magnética acabou se convertendo
num método diagnóstico por imagem.
Contudo,
o mais importante dos objetivos da espectroscopia, isto
é, a capacidade de desenvolver a identificação
química das substâncias, era de difícil
solução no processo de imagem por ressonância
magnética. Nos anos mais recentes, com a melhoria
do hardware e software dos aparelhos modernos, pode-se
finalmente obter espectroscopia dos tecidos vivos. A espectroscopia
por ressonância magnética in vivo combina
os métodos de imagem tradicionais da RM com a capacidade
de análise química dos tecidos, tornando-se
um método não invasivo para o estudo de
processos bioquímicos cerebrais, hepáticos
e musculares.
As principais
aplicações clínicas da espectroscopia
cerebral são: acidentes vasculares cerebrais, tumores,
demências, asfixia neonatal, epilepsia, infecções
pelo HIV, doenças dos núcleos da base, esclerose
múltipla. No caso dos tumores cerebrais, vários
autores têm descrito curvas específicas dos
metabólitos (mioinositol, creatina, colina, N-acetil-aspartato
e outros) para determinados tipos de tumores.
Assim, pode-se
obter através das curvas dos metabólitos
obtidos pela espectroscopia dos tumores cerebrais a definição
de malignidade ou benignidade. Entre os tumores malignos
pode-se ainda ter uma noção aproximada de
sua composição química, o que facilita
na identificação de seu grau histológico
e conseqüentemente o tipo de tumor. Além disso,
uma das melhores utilizações da espectroscopia
por ressonância magnética cerebral é
a diferenciação entre recidiva tumoral e
radionecrose, coisa que só era possível
através do PET (Tomografia por Emissão de
Prótons) método extremamente caro e que
não existe no Brasil, mas somente nas grandes universidades
americanas e européias.
6.
URORESSONÂNCIA
Também através
da técnica do “Single-Shot Fast Spin Echo”,
a mesma utilizada para a colangiopancreatografia e aortografia,
pode-se obter excelentes imagens do trato urinário.
Desta forma, o nível de uma obstrução
ureteral, por exemplo, é facilmente detectado com
seqüências bastante rápidas através
de imagens tridimensionais de excelente resolução
espacial.
7.
MAMOGRAFIA POR RM
O uso de
uma nova bobina para mamas que possibilita a aquisição
simultânea de imagens de ambas as mamas, imagens
estas de alta resolução e grande homogeneidade,
foi um dos grandes avanços da RM. A paciente é
examinada em decúbito ventral, sem dor, desconforto
ou pressão sobre as mamas. Desde a introdução
da Ressonância Magnética (RM) para avaliação
das patologias mamárias em 1986, este método
tem recebido atenção e aceitação
crescentes.
Equipamentos
de última geração com bobinas especialmente
confeccionadas para a região mamária têm
proporcionado avaliação tridimensional das
mamas com elevada resolução espacial e temporal
possibilitando caracterização morfológica
das lesões e estudo dinâmico pós-contraste.
Comparada a outros métodos, a RM oferece novas
informações que, combinadas à mamografia
convencional, tem elevado o índice de detecção
de lesões malignas da mama. O uso do contraste
na avaliação das mamas por ressonância
magnética é imprescindível, explorando
o princípio da angiogênese necessária
ao crescimento tumoral.
A ressonância
magnética das mamas sem a administração
do contraste está indicada apenas na avaliação
da integridade dos implantes de silicone, sendo para esta
última indicação aceito como o melhor
método disponível atualmente. Muitos estudos
têm demonstrado que a RM pode contribuir com informações
morfológicas similares à mamografia convencional
nas lesões neoplásicas malignas invasivas,
sem a limitação da sobreposição
dos tecidos e, principalmente, permite estudo dinâmico
pós-contraste das lesões. Isto define tendências
do padrão de realce que pode estabelecer a probabilidade
de malignidade de uma determinada lesão.
A mamografia
por RM tem se revelado como um método de elevada
acurácia dependendo, porém, de uma pré-seleção
adequada das pacientes. É, portanto, um método
complementar à mamografia convencional, não
podendo ser considerada método de "screening",
especialmente pela limitação da RM na identificação
das lesões precoces que se manifestam por microcalcificações
que são facilmente detectadas pela mamografia convencional.
Por outro lado, em pacientes com fatores de risco para
malignidade mamária, a RM pode, como nenhum outro
método, detectar lesões iniciais que não
se manifestem por microcalcificações, portanto
inaparentes à mamografia convencional.
Cerca de
99% das neoplasias invasivas da mama exibem algum realce
pós-contraste, enquanto que 30% dos carcinomas
in-situ apresentam realce atípico e 10 a 20% podem
demonstrar mínimo ou nenhum realce, limitando a
sensibilidade e especificidade do método na avaliação
das neoplasias iniciais.
Portanto,
as novas informações obtidas com a ressonância
podem ser de valor inestimável predominantemente
no diagnóstico das neoplasias invasivas e ainda
nas situações em que a mamografia têm
papel limitado, ou seja: extensas alterações
cicatriciais pós-cirúrgicas com ou sem radioterapia;
exclusão e detecção precoce de neoplasia
maligna após implantes de silicone; mama densa
em pacientes com elevado risco para neoplasia de mama;
caso-problema - resultados contraditórios por outros
métodos; pré-operatório na detecção
de multifocalidade, multicentricidade e avaliação
da mama contralateral; acompanhamento da resposta tumoral
à quimioterapia; avaliação da integridade
dos implantes de silicone.
Contudo
existem situações em que a ressonância
pode não contribuir significativamente: detecção
de microcalcificações; avaliação
de displasias, doenças inflamatórias e secretórias;
pacientes assintomáticas sem fatores de risco para
neoplasia maligna mamária. Como já foi mencionado,
as microcalcificações são melhor
detectadas pela mamografia convencional e nos casos das
displasias mamárias, doenças inflamatórias
e secretórias as alterações identificadas
pela RM são inespecíficas, sobrepondo-se
muitas vezes àquelas do parênquima mamário
normal sob influência hormonal.
Em torno
de 30 % das pacientes jovens, assintomáticas e
sem fatores de risco para malignidade, a ressonância
magnética pode detectar inúmeras alterações
benignas como adenose ou fibroadenoma, inaparentes por
outros métodos de imagem. Isto pode causar dúvida
diagnóstica, levando a paciente a se submeter a
biópsias desnecessárias e a um excessivo
número de estudos adicionais o que, sem sombra
de dúvida, compromete a credibilidade do método.
8. OUTROS AVANÇOS
Outros avanços
da ressonância magnética através dos
aparelhos de 1.5T diz respeito à analise do fluxo
liquórico, estudo das articulações
têmporo-mandibulares com bobina dupla permitindo
a avaliação das duas ATMs simultaneamente
e a aplicação de bobinas do tipo "synergy"
para a coluna. Estas bobinas permitem imagens amplas da
coluna como um todo, evitando em alguns casos a necessidade
de exames individuais da coluna cervical, torácica
e lombar, particularmente nas crianças e indivíduos
adultos de pequeno porte.
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