Técnicas
especiais
1.
COLANGIOPANCREATOGRAFIA POR RM (COLANGIORESSONÂNCIA)
A colangioressonância
foi inicialmente descrita por Wallner em 1991 que, através
do sinal hiperintenso do fluido estacionário nas
imagens ponderadas em T2, conseguiu delinear as vias biliares
sem a necessidade de administração do contraste.
É
um método não invasivo, de elevada acurácia,
permitindo a avaliação multiplanar da anatomia
do trato biliar e pancreático sem os riscos inerentes
das complicações observadas em algumas entidades
clínicas, quando se utiliza a colangiopancreatografia
endoscópica retrógrada (CPER).
Dados recentemente
publicados estabelecem a elevada sensibilidade da colangioressonância
com aproximadamente 95% para dilatação e
estenoses dos ductos biliares e pancreáticos e
72 a 95% para coledocolitíase. A sensibilidade
da colangioressonância para detecção
de cálculos no ducto biliar comum é mais
elevada (95%) do que o ultra-som e a tomografia computadorizada
(60-90%).
Outra indicação
da colangioressonância que supera a colangiopancreatografia
endoscópica retrógrada é a demonstração
satisfatória das estenoses ductais pós-operatórias
ou complicações pós-operatórias
de qualquer natureza onde a CPER é impossível
de ser realizada. Outro detalhe a favor da colangioressonância
é o seu baixo preço em relação
a CPER.
2.
RM FUNCIONAL: ATIVAÇÃO CEREBRAL, PERFUSÃO
E DIFUSÃO
Imagens
funcionais cerebrais (IFC) obtidas através dos
novos equipamentos de RM vão além das informações
morfológicas. Exemplos de IFC são estudos
da ativação cortical cerebral, difusão
e perfusão que utilizam uma seqüência
de pulso chamada EPI (Echo Planar Imaging). O estudo da
ativação cortical permite a avaliação
das diferentes áreas funcionais do cérebro
tais como região hipocampal, lobo temporal, córtex,
motora e sensitiva, áreas da linguagem, funções
cognitivas, etc.
Os sinais
originários destas áreas são obtidos
através de tarefas ou estímulos impostos
ao paciente de acordo com a função examinada.
Desta forma, pode-se obter um mapeamento das áreas
cerebrais normais e anormais quando associadas a uma determinada
patologia através de estímulos motores,
visuais ou auditivos. Com isso obtêm-se informações
mais detalhadas dos processos patológicos e sua
área de abrangência, podendo-se preservar
áreas nobres nos atos cirúrgicos diretos
ou nos tratamentos intervencionistas intravasculares.
O fenômeno
da perfuração engloba a fase do transporte
vascular dentro da rede capilar que se distribui em cada
tecido seguido da difusão de nutrientes através
da parede capilar e da membrana celular e daí para
dentro das células nervosas. Entretanto, o termo
“perfusão” é freqüentemente
usado para indicar somente a fase de transporte vascular
e é neste contexto que o estudo da perfusão
por RM foi desenvolvido. Os principais parâmetros
obtidos na perfusão por RM é o volume sangüíneo
regional cerebral, expresso em ml/g, e o fluxo sangüíneo
regional cerebral, expresso em ml/g/s. Nos tecidos vivos
as moléculas de água são abundantes.
Estas moléculas
dão origem aos sinais da RM, pois são ricas
em hidrogênio e em escala microscópica muitas
delas coexistem em movimentos incoerentes através
de velocidades e direções diferentes. Este
movimento ao acaso provoca o choque de uma molécula
com a outra e é conhecido como movimento browniano.
Através destes movimentos e em associação
com as propriedades específicas da membrana celular
ocorre o fenômeno da difusão da água
através da mesma. As imagens ponderadas especificamente
para os estudos de difusão baseiam-se na variação
do coeficiente de difusão da água através
das membranas das células cerebrais atingidas por
qualquer patologia.
Entre outras,
a melhor aplicação das imagens ponderadas
para o estudo da perfusão e difusão são
os acidentes vasculares cerebrais, pois estas técnicas
podem mostrar a presença de infartos hiperagudos
bem como alterações de volume e fluxo sangüíneos
cerebrais. Com isso, abre-se uma poderosa janela diagnóstica
para a investigação clínica dos acidentes
vasculares cerebrais agudos e em conseqüência
a aplicação dos vários métodos
terapêuticos modernos cujo objetivo principal é
a redução da morbidade e mortalidade dos
pacientes).
3.
ANGIORESSONÂNCIA
Permite
avaliação de qualquer segmento vascular
corporal (cérebro, pescoço, tórax,
abdômen e membros) de forma rápida e com
extraordinária resolução espacial,
tornando este método absolutamente confiável
nos aparelhos de 1.5T. Quando se avalia os vasos cerebrais
ou do pescoço, apenas em algumas circunstâncias
especiais se utiliza o contraste paramagnético
(Gadolinium) endovenoso e as imagens vasculares são
obtidas através de seqüências especiais
que são melhores quanto melhor a qualidade do aparelho.
Contudo,
recentemente foi desenvolvida uma "bomba injetora"
do contraste paramagnético para o ambiente próprio
da sala de ressonância magnética. Com esta
nova tecnologia, consegue-se através dos aparelhos
de 1.5T excelentes imagens da aorta torácica e
abdominal, artérias pulmonares, artérias
renais, mesentéricas, sistema portal e artérias
periféricas.
Esta nova
tecnologia não invasiva e que utiliza o contraste
endovenoso sem a necessidade de cateterização
arterial tem sido aceita e incorporada na prática
clínica de vários centros médicos
do mundo, principalmente pela raridade de reações
anafiláticas ao contraste (Gadolinium) e ausência
de nefrotoxidade em exames que permitem a obtenção
de imagens tridimensionais de excelente resolução
espacial semelhantes àquelas obtidas com a angiografia
convencional e em tempo extremamente rápido.
4.
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO CORAÇÃO
Nos últimos
vinte anos, as técnicas não invasivas de
imagens do coração alcançaram seu
auge através da ecocardiografia. Na grande maioria
das vezes, era a ecocardiografia o único exame
que podia fornecer dados sobre a morfologia e função
cardíacas.
A Ressonância
Magnética (RM) foi introduzida no meio médico
em 1985; porém, somente nos últimos dois
ou três anos é que sua utilização
na Cardiologia teve um extraordinário avanço,
estabelecendo-se como método não invasivo
de superior qualidade. A ressonância magnética
oferece imagens cardíacas com detalhes de anatomia
e função de uma forma totalmente segura,
sem qualquer risco para os pacientes (a única contra-indicação
é o marca-passo cardíaco) e sem submete-los
aos inconvenientes das técnicas invasivas de cateterismo.
E esta atuação da RM na Cardiologia será
bem maior no futuro próximo, graças aos
novos pacotes de softwares que introduzem técnicas
de imagens ultra-rápidas que anulam os artefatos
de movimento.
A RM é
essencialmente uma técnica de imagem tridimensional,
daí porque ela é capaz de avaliar o volume
cardíaco, sua superfície, as câmaras
cardíacas (átrios e ventrículos),
fornecendo informações não só
de sua estrutura como também de sua contratilidade
e do fluxo sangüíneo dentro destas câmaras.
Estas informações são úteis
para avaliar e quantificar a função dos
ventrículos, a severidade das lesões das
válvulas cardíacas e o grau de reserva do
fluxo coronariano.
Além
disso, com as seqüências ultra-rápidas,
pode-se hoje obter informações sobre a difusão
do meio de contraste utilizado em RM (Gadolinium-DTPA)
através do miocárdio, método que
auxilia a avaliação da perfusão miocárdica
regional e volume sangüíneo. A mais recente
aplicação das seqüências ultra-rápidas
de exame diz respeito aos grandes vasos (artérias
e veias) que entram e saem do coração e
as artérias que nutrem o coração
(as coronárias).
Como tudo
que se relaciona ao coração é dinâmico,
as imagens obtidas pelo computador são enviadas
aos médicos que solicitam o exame através
de fitas de vídeo. Desta forma, eles podem examinar
a anatomia e a função cardíaca com
precisão extraordinária de detalhes não
apenas através dos três planos ortogonais
(axiais, sagitais e coronais) classicamente registrados
nos filmes de raio x, mas também através
das fitas de vídeo que propiciam a análise
dinâmica tridimensional da anatomia e funções
normais do coração, bem como de todas as
doenças diagnosticadas.
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