Formação
de imagens
Como já
foi discutido, para ocorrer o fenômeno da ressonância
necessário se faz a utilização de
um pulso de RF com uma energia suficiente para lançar
o VME do hidrogênio para o plano transverso, (90º)
visto que ele se encontra com sua freqüência
de precessão em um plano longitudinal (Bo).
Um pulso
de RF também provoca uma somatória e coloca
em fase os momentos magnéticos individuais que
constituem o VME e, em conseqüência, aparece
uma magnetização transversa coerente cuja
precessão no plano transverso é a própria
precessão do hidrogênio, de acordo com a
freqüência de Larmor para aquele campo magnético
em questão (para 1.5 T, a freqüência
de precessão é de 63,85 MHz; para 1.0 T,
42,57 MHz e para 0.5 T, 21,28 MHz).
Com isto,
pode-se induzir na bobina receptora, posicionada ao redor
do segmento anatômico que está sendo examinado,
uma voltagem ou sinal que tem a mesma freqüência
que a freqüência do hidrogênio para aquele
determinado tipo de magneto (0.5, 1.0 ou 1.5 T), independentemente
do ponto de origem do sinal oriundo do paciente.
Contudo,
para que o sistema possa localizar espacialmente este
sinal, é preciso plotá-lo em relação
aos três eixos dos planos ortogonais através
de uma codificação que possibilita sua identificação
tridimensional aonde quer que ele se encontre. Esta “codificação”
que permite a localização de um ponto do
paciente em relação aos eixos das imagens
é uma tarefa executada pelos gradientes.
Gradientes
são definidos como pequenas alterações
do campo magnético principal geradas por bobinas
localizadas ao longo do corpo do magneto (bobina gradiente).
A passagem de uma corrente por uma bobina gradiente induz
um campo magnético gradiente em torno dela que
é subtraído da potência do campo magnético
principal (Bo) ou acrescentado a ela.
A magnitude
do campo magnético principal é alterada
linearmente pelas bobinas gradientes, de modo que se pode
quantificar a potência do campo magnético
e, por conseguinte, a freqüência de precessão
dos núcleos ao longo do eixo do gradiente permitindo
uma codificação espacial.
Os núcleos
que se situam em um campo magnético de maior potência,
em relação ao isocentro, se aceleram, enquanto
os núcleos que situam em um campo magnético
de menor potência, em relação ao isocentro,
se desaceleram: a freqüência de precessão
aumenta e diminui, respectivamente, devido ao gradiente.
Em conseqüência disso, a posição
de um núcleo ao longo de um gradiente pode ser
identificada, graças à sua freqüência
de precessão para cada ponto determinado.
No corpo
do magneto existem três bobinas gradientes. Estas
bobinas são referidas como bobinas gradientes Z,
X e Y, de acordo com o eixo segundo o qual elas agem ao
serem ativadas. O gradiente Z altera linearmente a potência
do campo magnético ao longo do eixo Z do magneto,
que é o eixo mais longo e que é paralelo
ao eixo longitudinal do corpo do paciente.
O gradiente
Y altera a potência do campo magnético ao
longo do eixo Y do magneto que representa o eixo vertical,
ou seja, aquele que tem uma posição vertical
em relação ao paciente em decúbito
ventral ou dorsal. O gradiente X altera a potência
do campo magnético ao longo do eixo X do magneto,
ou seja aquele que é horizontal à superfície
corporal. No conjunto, todos os eixos fazem entre si um
ângulo de 90º (planos ortogonais).
O isocentro
magnético e o ponto central dos eixos dos gradientes,
o qual coincide com os eixos do corpo do magneto. No isocentro
magnético a potência do campo magnético
permanece inalterada, mesmo ao serem ativados os gradientes.
Em resumo, as tarefas principais dos gradientes são:
seleção de cortes (localização
de um corte - sagital, axial ou coronal - no plano de
exame selecionado), localização espacial
de um sinal ao longo do eixo longo da anatomia (codificação
de freqüência) e localização
espacial de um sinal ao longo do eixo curto da anatomia
(codificação de fase).
Seleção
de cortes
Um corte
correspondente a um determinado plano situado ao longo
do eixo de gradiente tem todos os seus pontos com uma
freqüência de precessão específica.
Assim sendo, pode-se excitar de forma seletiva os pontos
deste corte, bastando para isso a transmissão de
um pulso de RF com uma faixa de freqüência
que coincida com a freqüência de Larmor dos
spins dos prótons de hidrogênio situados
exclusivamente naquele plano.
Obtém-se,
assim, a ressonância dos núcleos situados
exclusivamente neste plano. Os núcleos situados
em outros cortes ao logo do gradiente não entram
em ressonância, pois a presença do gradiente
modifica a freqüência de precessão dos
mesmos. O plano de exame selecionado pelo examinador determina
qual dos três gradientes irá executar a seleção
dos cortes durante a seqüência de pulsos.
O gradiente
Z altera a potência do campo e a freqüência
de precessão ao longo do eixo Z do magneto. Ele,
portanto, seleciona os cortes axiais. O gradiente X altera
a potência do campo e a freqüência de
precessão ao longo do eixo X do magneto e é
o responsável pela seleção dos cortes
sagitais.
Finalmente,
o gradiente Y altera a potência e a freqüência
de precessão ao longo do eixo Y do magneto e seleciona
os cortes coronais. Uma vez selecionado um corte, os sinais
dele devem ser localizados ao longo de, pelo menos dois
eixos da imagem através de um processo conhecido
por codificação de freqüência
que está associado ao eixo longo da anatomia. Nas
imagens coronais e sagitais o eixo longo da anatomia situa-se
ao longo do eixo Z do magneto.
Neste caso,
a codificação de freqüência é
realizada pelo gradiente Z. Nas imagens axiais, o eixo
longo da anatomia encontra-se ao longo do eixo horizontal
do magneto (eixo X) e, neste caso, é o gradiente
X que realiza a codificação de freqüência.
Em especial, nos exames de crânio, o eixo longo
da anatomia (ântero-posterior) situa-se ao longo
do eixo ântero-posterior do magneto e, assim, é
o gradiente Y que deve promover a codificação
de freqüência.
Codificação
de fase
Quando
todos os gradientes são aplicados em um determinado
tempo e ocorre a seleção de um corte, ocorre
um desvio de freqüência ao longo de um eixo
do corte e um desvio de fase ao longo de outro eixo. Desta
forma, o sistema pode localizar um sinal individual da
imagem.
Esta informação
deve ser agora traduzida em termos de imagem, o que ocorre
através do armazenamento de informações
no processador do sistema de computação
que dispõe do chamado espaço K. O espaço
K é o domínio da freqüência espacial,
isto é, parte do sistema que armazena informações
sobre a freqüência de um sinal e de que parte
do paciente ele se origina.
O espaço
K tem uma forma retangular e tem eixos perpendiculares
entre si que representam o eixo de fase (formado por várias
linhas horizontais) e o eixo de freqüência
(formado por linhas verticais). Todas as vezes em que
é feita uma codificação de freqüência
ou de fase são colhidos dados que devem ser armazenados
nas linhas do espaço K e estes dados produzirão
uma imagem do paciente.
Na realidade,
o espaço K funciona como uma fonte de armazenamento
de dados até que uma aquisição completa
termine, o que ocorre quando todas as linhas do espaço
K estão preenchidas.
Para uma
determinada aquisição, o número de
linhas do espaço K que são preenchidas é
determinado pelo número de diferentes inclinações
de codificação da fase que são aplicadas:
uma vez preenchidas todas as linhas do espaço K
selecionado, a aquisição de dados está
completa, aquela parte do exame está terminada
e os dados mantidos no espaço K são convertidos
em imagens. Esta conversão é feita matematicamente
por um processo conhecido como Tranformada de Fourier
Rápida (TFR). A TFR é um processo puramente
matemático, e está além dos objetivos
deste trabalho.
Matriz
A unidade base de
uma imagem digital é um pixel. O pixel, portanto,
é apresentado em duas dimensões e representa
também a unidade de superfície de um determinado
tecido do paciente. O voxel representa um volume unitário
de tecido do paciente e é determinado pela área
unitária de superfície (pixel) multiplicada
pela espessura do corte. A área do pixel é
determinada pelo tamanho do campo de visão (CDV)
e pelo número de pixels no campo de visão
ou matriz. O campo de visão relaciona-se à
extensão da anatomia coberta e ele pode ser quadrado
ou retangular. Desta forma, a área do pixel pode
ser determinada pela fórmula seguinte:
área
do pixel = |
dimensões
do CDV |
| tamanho
da matriz |
O tamanho
da matriz é determinado por dois números.
O primeiro corresponde ao número de amostras
de freqüência colhidas e, o segundo, ao
número de codificações de fase
efetuadas. Por exemplo, 512x256 indica que foram colhidas
512 amostras de freqüência durante a leitura
e foram feitas 256 codificações de fase.
Uma matriz grosseira é aquela formada por um
baixo número de pixels no CDV e uma matriz
fina representa um número elevado de pixels
no CDV.
Conseqüentemente,
o mesmo raciocínio é válido para
o voxel: uma matriz grosseira é formada por
um baixo número de voxels e, uma fina, por
um elevado número de voxels. Grandes voxels
contem mais núcleos da hidrogênio e,
por conseguinte, maior número de spins para
contribuir com um sinal mais forte dos que os pequenos
voxels.
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