O
sinal da ressonância magnética
Como foi
explicado anteriormente, a soma dos momentos dos átomos
de hidrogênio em fase é representada por
um único vetor, o VME, que fica em precessão
a um ângulo de 90º em torno de Bo. Este vetor
representa também cargas elétricas em movimento
girando de forma cíclica a uma freqüência
determinada, o que provoca o aparecimento de ondas eletromagnéticas.
Pelas leis
da indução de Faraday, uma onda eletromagnética
induz uma certa voltagem em uma bobina receptora, ou simplesmente
uma antena, quando esta é colocada nas proximidades
daquela.
Assim sendo,
o VME em movimento coerente, isto é, em fase no
plano transversal, gera, em uma bobina colocada em suas
proximidades, uma corrente elétrica criada pela
diferença de voltagem, diferença esta que
é dependente da posição do VME. Esta
voltagem constitui o sinal de ressonância magnética.
A freqüência
deste sinal será a mesma da freqüência
de Larmor, no caso para o hidrogênio, e a magnitude
deste sinal depende do grau de magnetização
transversal, pois o sistema não consegue criar
variações de voltagens com o VME em sua
posição longitudinal em relação
ao eixo do campo magnético.
O
sinal do declínio de indução livre
Enquanto
permanece o pulso de RF aplicado ao VME, este mantém-se
a 90º em relação ao eixo Bo e permanece
também a magnetização transversal.
Ao desligar-se este pulso, os momentos dos átomos
de hidrogênio que se encontram em fase passam a
perder energia e, em conseqüência, começam
a ficar fora de fase e os VME passam a sofrer influência
de Bo, tentando, agora, realinhar-se com este.
Este processo
pelo qual o VME perde energia e tenta se realinhar com
o eixo Bo chama-se relaxamento e o grau de magnetização
longitudinal aumenta gradualmente, (recuperação)
em detrimento à magnetização transversal
(declínio). Portanto, relaxamento significa desaparecimento
da magnetização transversal e reaparecimento
da magnetização longitudinal.
Quando diminui
o grau de magnetização transversa também
diminui progressivamente a magnitude da voltagem induzida
na bobina receptora que está ao redor do paciente,
até zero. Este fenômeno é denominado
declínio de indução livre (DIL).
A recuperação da magnetização
longitudinal é conhecida como recuperação
T1 e o declínio da magnetização transversa
denomina-se declínio T2.
A razão
da recuperação é um processo exponencial,
com o tempo de recuperação constante denominado
T1. Este é o tempo necessário para a recuperação
de 63% da magnetização longitudinal. A razão
do declínio (relaxamento) é também
um processo exponencial e representa o tempo necessário
para perda de 63% da magnetização transversa
(tempo T2).
Parâmetros
dos pulsos
Sempre
que fazemos a aplicação de um pulso de RF
e em seguida a interrupção do mesmo, criamos,
como já foi mencionado, um sinal na bobina receptora.
Em imaginologia, a aplicação de apenas um
pulso de RF é pouco producente, no sentido de se
obter imagens.
Desta forma,
é preciso a aplicação de pulsos com
elevado tempo de repetição, isto é,
com certa freqüência fina e com prazos determinados
para o aproveitamento dos sinais para a formação
de imagens. O tempo de repetição (TR) é
o tempo que vai da aplicação de um pulso
de RF à aplicação do pulso de RF
seguinte.
O TR é
medido em milisegundos (Ms). O TR determina, ainda, o
grau de relaxamento que pode ocorrer entre o término
de um pulso de RF e a aplicação do pulso
seguinte. O tempo de eco (TE) é o tempo que vai
da aplicação do pulso de RF ao pico máximo
do sinal induzido na bobina receptora. O TE é também
medido em milisegundos. O TE corresponde ao grau de declínio
da magnetização transversa que pode ocorrer
antes de ler-se o sinal. Portanto, o TR determina o grau
de relaxamento T1 e o TE o grau de relaxamento T2.
Ponderação
e contraste
Na avaliação
visual das imagens por RM, elas podem apresentar sinais
muito intensos (em branco) até sinais pouco intensos
(em preto), passando por uma gama de sinais intermediários
(tons de cinza). Estes sinais de tonalidades que variam
do branco ao preto representam diferentes tipos de tecidos,
por exemplo, tecido adiposo, músculo, tecido nervoso,
etc. que possuem VME individuais.
Um determinado
tecido tem um sinal muito forte, caso possua um grande
componente transverso de magnetização capaz
de gerar um grande sinal na bobina receptora. Um tecido
envia um sinal fraco à bobina receptora quando
este possue um componente transverso de magnetização
de pequena amplitude.
O contraste
das imagens é conseqüência principalmente
dos mecanismos de recuperação T1 e declínio
T2. No tecido adiposo, por exemplo, os momentos magnéticos
dos núcleos lipídicos relaxam e recuperam
rapidamente sua magnetização longitudinal.
O tempo T1 do tecido adiposo é, portanto, curto
e sua característica é ser hiperintenso
em T1. Ao contrário, na água os momentos
magnéticos demoram mais para relaxar e recuperar
a magnetização longitudinal e o tempo T1
da água é, portanto, longo e sua característica
é de imagem hipointensa em T1.
Da mesma
forma, o declínio T2 do tecido adiposo é
curto, isto é, o tempo T2 é curto e o tempo
T2 da água é longo, mostrando imagens hipointensas
e hiperintensas, respectivamente.
Em resumo,
pode-se dizer: o tecido adiposo tem um tempo T1 e T2 curtos;
a água tem tempos T1 e T2 longos; para se obter
imagens com sinais intensos, deve haver um grande componente
de magnetização transversal, para que este
possa induzir um forte sinal na bobina receptora; um componente
de magnetização transversal pequeno produz
um sinal fraco na bobina receptora; as imagens ponderadas
em T1 apresentam tecido adiposo hiperintenso (brilhante)
e a água hipointensa (escura); as imagens ponderadas
em T2 mostram tecido adiposo hipointenso (escuro) e a
água hiperintensa (brilhante); os tecidos de sinais
intermediários devem ficar com T1 ou T2 entre os
sinais do tecido adiposo e da água; uma imagem
ponderada em T1 é aquela em que o contraste depende
predominantemente das diferenças entre os tempos
T1 do tecido gorduroso e da água; uma imagem ponderada
em T2 é aquela em que o contraste depende predominantemente
das diferenças entre os tempos T2 do tecido adiposo
e da água; o TR controla o grau de ponderação
T1 e para a ponderação T1 o TR tem se ser
curto; o TE controla o grau de ponderação
T2 e para a ponderação T2 o TE tem de ser
longo.
Spin
eco e gradiente eco
A seqüência
de pulsos spin eco utiliza pulsos de excitação
de 90º e 180º para inclinar o VME nos planos
transverso e longitudinal invertido, respectivamente.
A seqüência de pulsos do tipo gradiente eco
utiliza um pulso de RF variável e inclina o VME
por qualquer ângulo, diferente de 90º e 180º.
Aparece,
portanto, um componente transverso de magnetização
cuja amplitude é sempre menor do que aquele da
seqüência spin eco, pois o vetor transverso
é resultante da projeção do VME com
ângulos diferentes de 90º. Como os vetores
de magnetização transversa nas seqüências
gradiente eco podem restituir as fases mais rapidamente
que os pulsos RF de 90º e 180º, o TE mínimo
nestes casos é muito mais curto do que nas seqüências
de pulsos spin eco e o TR pode, portanto, ser reduzido.
Assim, pode-se
afirmar que nos casos de baixos ângulos de inclinação
a recuperação plena da magnetização
longitudinal ocorre mais cedo que nos de grande ângulos
de inclinação, reduzindo-se o TR. Como o
TR está relacionado ao tempo de exame, pode-se
dizer que com TRs curtos o tempo total do exame será
reduzido.
Assim sendo,
exames realizados com seqüências de pulso gradiente
eco são mais rápidos do que aqueles realizados
com seqüências de pulso spin eco. Porém,
como não há nenhuma compensação
para os distúrbios de homogeneidade de campo, os
quais são constantes nas seqüências
gradiente eco, esta é uma desvantagem da seqüência
gradiente eco. Isto é particularmente observado
nos artefatos de susceptibilidade magnética.
Como nas
seqüências spin eco, nas seqüências
gradiente eco o TR é o tempo entre cada pulso de
excitação e o TE é o tempo do pulso
de excitação até o pico máximo
do sinal induzido. Além disso, como o TR controla
o grau de recuperação T1, que deve ocorrer
antes da aplicação do próximo pulso
de RF, um TR curto produz apenas ponderação
em T1 e nunca possibilita a obtenção de
uma imagem ponderada em T2.
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