Magnetização
Sabemos
que o átomo é uma estrutura constituída
de um núcleo central e elétrons em órbita
ao redor dele. Por sua vez, o núcleo é formado
por partículas menores, prótons e nêutrons.
Os elétrons tem carga elétrica negativa,
os prótons, carga positiva, e, os nêutrons,
como o nome sugere, não tem carga elétrica.
A soma dos
prótons de um núcleo determina o número
atômico e o número de massa representa a
somatória dos prótons e nêutrons.
Um átomo eletricamente estável é
aquele que tem um número de cargas elétricas
negativas (elétrons) igual ao número de
cargas elétricas positivas (prótons).
Átomos
eletricamente instáveis são aqueles que
possuem maior ou menor quantidade de elétrons,
em relação ao número de prótons.
Átomos eletricamente instáveis são
denominados íons.
Na estrutura
atômica pode-se observar outros movimentos, além
do movimento dos elétrons ao redor do núcleo.
São os movimentos dos elétrons girando sobre
seu próprio eixo e dos núcleos girando também
em torno de seus eixos.
No fenômeno
da RM tem especial importância o movimento do núcleo
em torno do seu eixo, particularmente quando este é
colocado em um campo magnético, isto porque, como
sabemos da física clássica, corrente elétrica
em movimento através de um fio ou carga elétrica
em movimento gera um campo magnético. O próton
de hidrogênio, por exemplo, girando em torno do
seu próprio eixo cria um minúsculo campo
magnético.
São
denominados núcleos ativos em RM aqueles que tem
tendência a alinhar seu eixo de rotação
a um campo magnético externo aplicado, graças
às leis da indução eletromagnética.
Estes núcleos possuem, portanto, carga efetiva
e em rotação dentro de um campo magnético
adquirem um momento magnético, ou momento angular,
ou rotação “spin”. O alinhamento,
ou a somatória dos momentos magnéticos dentro
de um campo magnético, é expresso como um
vetor somatório.
O
núcleo do hidrogênio
O núcleo
do hidrogênio é formado por um próton,
apenas. Seu número atômico, portanto, é
igual ao número de massa. Seu próton solitário
lhe proporciona um momento magnético bem definido
e, por ser abundante nos animais, constitui a base da
imaginologia por RM. O corpo humano, por exemplo, se constitui
de 70 a 80% de água.
Como já
foi dito, toda vez que partículas elétricas
se movem, elas criam um campo magnético. O hidrogênio,
com o movimento rotacional de seu próton único,
cria um campo magnético induzido à sua volta.
Desta forma, esta minúscula partícula funciona
nada mais, nada menos, como um magneto de proporções
infinitesimais provido de pólos norte e sul, de
igual intensidade. Os pólos deste pequeno magneto
são alinhados por um eixo que representa o momento
magnético que tem as propriedades de um vetor:
a direção do vetor é a direção
do momento magnético e o comprimento do vetor é
igual ao comprimento do momento magnético.
Na natureza,
apenas sob o efeito do campo magnético terrestre,
os momentos magnéticos dos núcleos de hidrogênio
não têm uma orientação definida.
Porém, em ambientes de fortes campos magnéticos
estáticos os momentos magnéticos dos núcleos
de hidrogênio se alinham a este campo magnético,
como uma agulha magnética se alinha ao campo magnético
terrestre, a maior parte dos núcleos alinhando-se
na mesma direção (paralela) e uma pequena
parte na direção oposta (anti-paralela)
ao eixo do campo magnético.
Os núcleos
que alinham seu momento magnético na direção
paralela são considerados de baixa energia ou de
rotação positiva e os que alinham seu momento
magnético na direção anti-paralela
(180º, na direção oposta) são
de alta energia ou de rotação negativa.
Dentro
de um campo magnético forte e estático,
os fatores determinantes do alinhamento do momento magnético
para cima (paralelo) ou para baixo (anti-paralelo) são
a potência deste campo magnético e o nível
de energia térmica dos núcleos, pois núcleos
de baixa energia térmica não possuem energia
suficiente para opor-se ao campo magnético na direção
anti-paralela.
Núcleos
de alta energia térmica, contudo, dispõem
de um diferencial de energia térmica suficiente
para opor-se ao campo magnético externo. Porém,
se aumentarmos a potência do campo magnético
externo, o número destes núcleos de alta
energia diminuem progressivamente.
Como o estado
paralelo é de baixa energia, ele é mais
estável que o estado anti-paralelo, de alta energia,
e dentro de um forte campo magnético o número
de prótons apontando para cima (direção
paralela) é maior do que o número de prótons
apontando para baixo (direção anti-paralela).
Assim sendo, a diferença da somatória de
prótons para cima e da somatória de prótons
para baixo é representada por um vetor (resultante)
cuja direção é a mesma do campo magnético.
Em imaginologia,
o paciente é sempre colocado em um campo magnético
externo de potência fixa e a resultante é
representada por um único vetor denominado vetor
de magnetização efetiva (VME).
Portanto,
o VME seria um vetor que representaria a diferença
de energia entre a população de prótons
de hidrogênio de baixa e alta energias e, quando
este estado é alcançado, dizemos que os
tecidos do paciente estão em equilíbrio
e totalmente magnetizados.
Pode-se
provocar uma mudança na direção do
VME de um determinado tecido do paciente, de um estado
de baixa energia (paralela) para um estado de alta energia
(anti-paralela), bastando, para isso, acrescentar aos
prótons em questão energia na forma de ondas
de rádio.
A medida
que uma maior quantidade de energia é acrescentada
ao sistema, maior a quantidade de campos magnéticos
protômicos que mudam para a direção
oposta, de baixo para cima e maior, portanto, a intensidade
do VME. Assim, o VME é tanto maior quanto maior
o campo magnético em que está inserido o
paciente. É por isso que, em campos de alta potência,
os sinais obtidos são melhores.
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