2.
RM FUNCIONAL: ATIVAÇÃO CORTICAL CEREBRAL,
PERFUSÃO, DIFUSÃO E ESPECTROSCOPIA
Imagens funcionais cerebrais (IFC) obtidas através
dos novos equipamentos de RM vão além das
informações morfológicas. Exemplos
de IFC são estudos da ativação cortical
cerebral, difusão e perfusão que utilizam
uma seqüência de pulso chamada EPI (Echo Planar
Imaging).
O
estudo da ativação cortical permite a avaliação
das diferentes áreas funcionais do cérebro
tais como região hipocampal, lobo temporal, córtex,
motora e sensitiva, áreas da linguagem, funções
cognitivas, etc. Os sinais originários destas áreas
são obtidos através de tarefas ou estímulos
impostos ao paciente de acordo com a função
examinada.
Desta
forma, pode-se obter um mapeamento das áreas cerebrais
normais e anormais quando associadas a uma determinada
patologia através de estímulos motores,
visuais ou auditivos. Com isso obtêm-se informações
mais detalhadas dos processos patológicos e sua
área de abrangência, podendo-se preservar
áreas nobres nos atos cirúrgicos diretos
ou nos tratamentos intervencionistas intravasculares.
Entre outras, a melhor aplicação das imagens
ponderadas para o estudo da perfusão e difusão
são os acidentes vasculares cerebrais, pois estas
técnicas podem mostrar a presença de infartos
hiperagudos bem como alterações de volume
e fluxo sangüíneos cerebrais. Com isso, abre-se
uma poderosa janela diagnóstica para a investigação
clínica dos acidentes vasculares cerebrais agudos
e em conseqüência a aplicação
dos vários métodos terapêuticos modernos
cujo objetivo principal é a redução
da morbidade e mortalidade dos pacientes.
Desde a sua descoberta, há ±50 anos, a espectroscopia
por ressonância magnética tornou-se um método
extraordinário para examinar átomos e moléculas.
Seu uso nos laboratórios de física e química,
portanto, tinha como finalidade principal a análise
das interações moleculares e a identificação
de compostos químicos.
No
campo clínico, a ressonância magnética
acabou se convertendo num método diagnóstico
por imagem. Contudo, o mais importante dos objetivos da
espectroscopia, isto é, a capacidade de desenvolver
a identificação química das substâncias,
era de difícil solução no processo
de imagem por ressonância magnética.
Nos
anos mais recentes, com a melhoria do hardware e software
dos aparelhos modernos, pode-se finalmente obter espectroscopia
dos tecidos vivos. A espectroscopia por ressonância
magnética in vivo combina os métodos de
imagem tradicionais da RM com a capacidade de análise
química dos tecidos, tornando-se um método
não invasivo para o estudo de processos bioquímicos
cerebrais, hepáticos e musculares.
As
principais aplicações clínicas da
espectroscopia cerebral são: acidentes vasculares
cerebrais, tumores, demências, asfixia neonatal,
epilepsia, infecções pelo HIV, doenças
dos núcleos da base, esclerose múltipla.
No caso dos tumores cerebrais, vários autores têm
descrito curvas específicas dos metabólitos
(mioinositol, creatina, colina, N-acetil-aspartato e outros)
para determinados tipos de tumores.
Assim,
pode-se obter através das curvas dos metabólitos
obtidos pela espectroscopia dos tumores cerebrais a definição
de malignidade ou benignidade. Entre os tumores malignos
pode-se ainda ter uma noção aproximada de
sua composição química, o que facilita
na identificação de seu grau histológico
e conseqüentemente o tipo de tumor. Além disso,
uma das melhores utilizações da espectroscopia
por ressonância magnética cerebral é
a diferenciação entre recidiva tumoral e
radionecrose, coisa que só era possível
através do PET (Tomografia por Emissão de
Prótons).
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